Neymar volta ao Mineirão: Santos vira sobre o Cruzeiro por 2 a 1 e acende o Brasileirão

Neymar volta ao Mineirão: Santos vira sobre o Cruzeiro por 2 a 1 e acende o Brasileirão ago, 28 2025

Como foi o jogo

Um retorno que tinha cara de nostalgia virou recado para o campeonato: o Santos foi a Belo Horizonte, virou sobre o Cruzeiro por 2 a 1 no Mineirão e levou três pontos que pesam mais do que a tabela mostra. A noite marcou o reencontro de Neymar com o clube mineiro quase 13 anos depois do último duelo vestindo a camisa santista. Valia a 19ª rodada do Brasileirão 2025, o fechamento do primeiro turno, e o roteiro entregou tensão, barulho e um protagonista que, mesmo sem gol, mexeu com o jogo.

O Cruzeiro começou mais ligado, ocupando o campo de ataque e forçando erros de saída do Santos. A pressão rendeu cedo: Fabricio Bruno abriu o placar para os donos da casa após jogada de bola parada, aproveitando a desatenção da defesa santista. Parecia que viria uma noite longa para o visitante.

O Santos não desabou. Recuou um passo, ajustou a marcação por dentro e esperou o momento de contra-atacar. Funcionou quando a equipe acelerou por baixo, com passes rápidos entre linhas. Guilherme apareceu bem pelo lado, entrou às costas da marcação e bateu para empatar: 1 a 1, ainda com o jogo quente e a torcida cruzeirense tentando empurrar uma resposta imediata.

Depois do intervalo, a partida ganhou outra cara. O Cruzeiro manteve a bola, mas perdeu profundidade. O Santos, mais confortável, passou a escolher melhor as escapadas. Neymar flutuou da esquerda para o centro, arrastando zagueiros, chamando faltas e dando o primeiro passe das transições. Ele tentou finalizações de média distância, algumas saíram por pouco, outras morreram nas mãos do goleiro. A presença dele abriu corredores que antes não existiam.

Na reta final, a insistência virou resultado. Em mais uma jogada trabalhada de fora para dentro, o time encontrou Gustavo Caballero bem posicionado. Ele finalizou firme e colocou o Santos à frente: 2 a 1. O gol desmontou o plano do Cruzeiro, que partiu para o abafa e se expôs atrás. O Santos ainda teve chances de matar em contra-ataques, mas administrou com posse e faltas táticas.

O apito final veio com festa dos santistas no Mineirão e um misto de frustração e respeito na parte celeste do estádio. Neymar saiu aplaudido pela torcida do Santos e cumprimentado por adversários — um gesto simples que diz muito sobre o tamanho do momento.

O que muda para Santos e Cruzeiro

Virar um jogo grande fora de casa no fechamento do primeiro turno não é só estatística; é termômetro de time que quer brigar em cima. Para o Santos, a vitória reforça três pontos chaves: o encaixe técnico ao redor de Neymar, a confiança de jovens como Guilherme e a capacidade de competir em contexto hostil. Ainda há ajustes a fazer — especialmente na bola aérea defensiva, exposta no gol sofrido —, mas o time mostrou maturidade para não perder o trilho quando estava atrás.

O plano do Santos com Neymar já dá sinais claros. Ele não é só o finalizador: é conector. Quando baixa para receber entre linhas, arrasta a atenção de dois, às vezes três marcadores. Isso libera os extremos para atacar o espaço e os meias para pisar na área. Os gols de Guilherme e Caballero nascem dessa gravidade. Sem o gol dele, mas com impacto direto na dinâmica da partida, o desenho tático faz sentido.

Outro ponto: a gestão física. Neymar acelerou quando precisou e dosou quando o time pediu calma. Nada de heroísmo vazio. Ele escolheu os duelos, completou as jogadas simples e não prendeu a bola quando o Cruzeiro fechou as linhas. É um detalhe que muda a cara do ataque e dá previsibilidade boa ao treinador para montar o entorno.

Do lado do Cruzeiro, ficam duas lições daquelas que doem. A primeira: intensidade sozinha não sustenta 90 minutos. O time dominou o começo, marcou, mas recuou um degrau cedo demais e devolveu a bola a um adversário com qualidade para criar. A segunda: faltou capricho na última bola quando precisou correr atrás. A equipe chegou até a entrada da área, mas errou o passe final e não testou o goleiro santista como poderia.

Isso não apaga os méritos do início de jogo, especialmente na pressão coordenada e nas bolas paradas, um caminho que continua sendo forte. Mas confirma um alerta: quando o rival tem criadores por dentro, é arriscado defender muito baixo por tanto tempo. A linha de meio campo perdeu segundas bolas, e daí nasceu a plataforma para a virada do Santos.

Em termos de ambiente, a noite em Belo Horizonte teve cara de evento. Mineirão barulhento, holofotes no retorno do astro, expectativa de duas torcidas que se acostumaram a ver esse tipo de jogo mudar campanha. Para o Santos, é combustível para o segundo turno. Para o Cruzeiro, é ajuste de rota — corrigir detalhes, recuperar a agressividade sem se partir e transformar domínio inicial em vantagem sustentável.

Se alguém ainda tinha dúvida sobre o peso esportivo da volta de Neymar ao futebol brasileiro, a resposta está no gramado: ele puxa foco, eleva o nível do entorno e muda o tipo de pergunta que os adversários precisam responder. Nem sempre virá com gol ou assistência, mas a simples gravidade do camisa 10 reorganiza o mapa do jogo. Em noite de Mineirão cheio, foi exatamente isso que aconteceu.

O campeonato segue aberto e nervoso. O Santos ganha uma referência técnica que grita por protagonismo e, ao mesmo tempo, uma bússola tática. O Cruzeiro, com elenco competitivo e ideias claras, precisa transformar boas arrancadas em 90 minutos completos. A 19ª rodada fecha com um recado direto: no segundo turno, a margem de erro encolhe — e quem souber controlar o ritmo, como o Santos fez em Belo Horizonte, tende a andar na frente.